Por Paulo Roberto Andrade
Publicado em 26/11/2009, na Agência USP de Notícias
A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP e a Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência celebraram um convênio para a criação de um Centro de Treinamento de Cães-Guia. A cerimônia para assinatura do acordo aconteceu na última terça-feira, 24 de novembro. O Centro deverá funcionar em um terreno adjacente à FMVZ, doado pela reitoria da USP.
O Centro da FMVZ pretende ser um modelo para outras universidades do país
Segundo Denise Tabacchi Fantoni, coordenadora do projeto, professora da FMVZ e responsável pelo Serviço de Anestesia do Hospital Veterinário da USP, o Centro, além da criação e treinamento de cães-guia para cegos, tem como objetivo definir parâmetros em relação à usabilidade do cão-guia e métodos de treinamento.
O convênio estabeleceu os termos da parceria entre a FMVZ e a Secretaria instituindo as ações que caberão a cada uma das partes envolvidas no Projeto. O primeiro passo foi a doação do terreno pela reitoria para as instalações físicas do Centro. “É um passo inicial para um grande projeto que envolverá a Universidade, o governo estadual e a sociedade”, explica Denise.
Quando instalado, o Centro treinará cães das raças Labrador e Golden Retriever, que possuem um alto grau de habilidade para o aprendizado da função de guia. Os animais serão adquiridos por meio de doações de canis particulares, credenciados e com controle de doenças. Inicialmente, o Projeto espera formar 30 cães ao ano para os portadores de deficiência visual. No futuro, a professora cogita a hipótese de compra de filhotes, conforme o desenvolvimento do projeto.
O treinamento
Os filhotes serão entregues a uma família adotiva, selecionada pelo programa, e que cuidará do cão durante um ano. Segundo Denise, “esse período com a família fornecerá ao animal a possibilidade de se socializar com pessoas e locais, além de crescer num ambiente caseiro”. Os filhotes serão visitados mensalmente por um membro do Centro, para verificar o desenvolvimento do animal.
Após o primeiro ano com a família, o cão é encaminhado ao Centro de Treinamento, por onde passará por um adestramento intensivo, específico para guia de cegos. Nessa etapa, o animal será avaliado permanentemente por treinadores qualificados, contratados pelo Centro e avaliados clinicamente por veterinários da FMVZ. O treinamento terá duração de quatro a seis meses, dependendo da evolução do animal.
A qualquer momento, os cães podem ser desclassificados do processo de treinamento, seja por ocorrência de doenças, baixa capacidade de aprendizado, agressividade e extrema submissão, entre outros.
Missão social
Treinados, os cães serão encaminhados aos deficientes gratuitamente. A Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência ficará encarregada de fazer um cadastro de deficientes interessados em adquirir os animais, e de repassá-los aos futuros donos.
Denise lembra que, hoje, existem no Brasil cerca de 16 milhões de cegos, e que a importância do Centro está em não se limitar a fornecer cães-guias a deficientes visuais, mas em criar um projeto que envolva a Universidade, o governo e, principalmente, a sociedade.
Os interessados em ser uma família acolhedora de um futuro cão-guia, devem contatar o Centro de Estudos do Cão-Guia do Estado de São Paulo, nos emails juliabezerra@terra.com.br e mariafernandacir@gmail.com.
Mais informações: (11) 3091-1232 (11) 3091-1232, email dfantoni@usp.br, com a professora Denise Tabacchi Fantoni
Link da notícia: http://www.usp.br/agen/?p=12716
Leandro, esta eu prefiro deixar para os leitores discutirem, não tenho opinião formada a respeito deste assunto. Apenas entendo como uma iniciativa com motivação positiva.
Positivo é, plausível também!
Mas espero que as pessoas responsáveis pelo projeto tenham uma boa contingência financeira, pois senão deixará os cães em situação complicada! Não havendo este cuidado o projeto será um tremendo tiro-no-pé, aonde quem mais vai perder é o cão!
Não desmereço nenhuma família que eventualmente receba o cão guia, imagino o quanto deve ser difícil ser deficiente visual neste país.
Abraço a todos e aguardando o que os dirigentes do projeto tem a dizer a respeito!
Leandro
Concordo com as colocações do Leandro… creio que se deve pensar sim no desgaste causado pela saparação entre o cão e a família que o criará no primeiro ano, e principalmente na manutenção do cão guia, que tem seu custo. Ração de qualidade, acompanhamento veterinário, vacinas… isso tudo tem seu preço.
Mas acredito também na grande importância do projeto, e acho que se houver um programa paralelo que garanta essa manutenção desses cães no caso de famílias carentes pode tornar a coisa mais viável.
E quanto à família, o cão não poderia ficar esse um ano já na família do cego, e depois ir para o treinamento pra depois voltar pro próprio cego que o criou até então? ele teria necessariamente passar por famílias diferentes? creio que isso facilitaria bastante a adaptação entre cão e cego.
2:53
Ok, a iniciativa é ótima!
Mas ficou 2 perguntas:
a) Como fica a família e o cão sendo separados depois do tempo de treinamento, no mínimo isso é emocionalmente desgastante!
b) Se a pessoa/família do deficiente visual não tiver condições financeiras como será feita a manutenção do cão! Labrador e Golden são cães com custo relativamente alto para manter!
Se alguem souber as respostas fique a vontade…
Abs