Fernanda Borges
Do Diário OnLine
A companhia de animais de estimação pode gerar mais benefÃcios à saúde do que muitos imaginam e, por isso, a presença deles em clÃnicas médicas e hospitais para fins terapêuticos é cada vez mais bem-vinda. A prática é conhecida como pet terapia e consiste na realização de tratamentos com o auxÃlio de animais.A psicanalista Sueli Muyamoto, do Espaço EquilÃbrio Essencial, de São Bernardo, recorre à pet terapia há dois anos. Segundo ela, os cães são os preferidos entre os adeptos, mas não são os únicos que podem ser utilizados. “Usamos mais os cachorros, até mesmo por conta da forte interação com os seres humanos, mas também podemos ter ajuda de gatos, pássaros e até cavalos”, destaca.Sueli explica que a prática é antiga e muito usada nos Estados Unidos e Europa. Ela lembra que Sigmund Freud, o “pai” da psicanálise, já desenvolvia a pet terapia ao manter um cão em sua sala de consultas.Segundo a psicanalista, os animais ajudam na descontração dos pacientes e, conseqüentemente, na aceitação do tratamento. “Muitas pessoas chegam na clÃnica fechadas, com muito medo. A simples presença do animal faz com que essa guarda seja quebrada e a pessoa passe a se sentir mais segura. No caso das crianças, os resultados são muito positivos, pois elas esquecem que estão em um ambiente médico”, afirma.A fisioterapeuta Simone Aparecida Stahtschimidt, que é parceira de Sueli na clÃnica, afirma que os cães podem ser considerados verdadeiros agentes de trabalho nas sessões de fisioterapia. “Utilizo muito os cães no tratamento de crianças com coordenação motora deficiente e sÃndrome de Down, entre outros. O animal acaba ajudando na realização de tarefas que parecem simples, como pentear o pêlo ou fazer carÃcias, que para esses pacientes é uma verdadeira superação”, revela.Segundo ela, os animais também mudam o estado emocional dos pacientes. “Normalmente, os cães de grande porte são usados para treinar o equilÃbrio, fazendo com que as pessoas tenham confiança”, conta.Hospital – E é exatamente por conta do impacto direto na auto-estima dos pacientes que a prática foi implantada no CMHSA (Centro Municipal Hospitalar de Santo André). O trabalho já é realizado há quase três anos na ala pediátrica do hospital e, de acordo com o psicólogo Paulo Roberto de Oliveira, a pet terapia faz com que o tratamento seja menos traumático. “A prática só tem pontos positivos. Entre eles, podemos destacar a mudança do humor das crianças e a alegria que sentem ao ver os animais. Com certeza, elas acabam com boas lembranças do perÃodo em que permaneceram no hospital”, explica.Uma vez por semana, as crianças recebem a visita de Jack, um golden retriever, e de Penny Lane, uma collie pêlo longo. As sessões de pet terapia são realizadas na brinquedoteca, onde as crianças brincam com bola, dão e ganham carinho dos cães. Os animais fazem parte da ONG (organização não-governamental) Anjo de Patinhas, braço da Associação Cão-Guia de Cegos de São Paulo, que atualmente conta com 22 cães.Segundo a técnica de laboratório Magda Magali Codogno, fundadora da ONG, a implantação da pet terapia no CMHSA ocorreu por acaso. “Eu era criadora de cães e comecei a ler sobre a pet terapia fora do PaÃs. Passei a treinar meus animais, mas não tinha um local para levá-los. Eu já trabalhava aqui no hospital quando fiquei sabendo que a instituição havia participado de uma palestra sobre o assunto. Daà eu ofereci meus cachorros e a prática foi iniciada”, lembra.Magda afirma que a visita dos cães é muito aguardada tanto pelos pacientes quanto pela equipe médica. “Os animais trazem alegria para o ser humano e mudam a energia do local em que estão. Isso para o hospital é muito importante, pois as pessoas deixam de lado a tensão do ambiente hospitalar. A presença deles faz com que o local fique humanizado e todos ficam à vontade”, diz.O diretor da Associação Cão-Guia de Cegos de São Paulo e adestrador, Adylson Lima, ressalta que os cães são devidamente treinados para não oferecer riscos aos pacientes. Eles também tomam banho até quatro horas antes da cada atividade e passam por um controle rigoroso de vacinação e vermifugação.Para a dona-de-casa Juliana Cristina Vizignani, 29 anos, a pet terapia foi fundamental para a recuperação de sua filha Luana, de 7 anos. Segundo a mãe, a menina foi atacada no ano passado pelo pit bull da famÃlia, sofreu afundamento de crânio, várias escoriações pelo corpo e a orelha foi praticamente arrancada. “Ela ficou com muito medo de cachorros, mas aos poucos passou a se interessar pela pet terapia realizada aqui no hospital”, lembra.Juliana conta que a reaproximação com os animais foi feita aos poucos. “Primeiramente ela começou a chegar perto dos cães de pequeno porte. Ficamos no hospital por cerca de um mês e a cada semana ela ficava na expectativa da visita. Quando saÃmos, ela já se aproximava até dos cães maiores, sem traumas. “Hoje, ela tem dois cachorrinhos e são eles que fogem dela (risos)”.
fonte:http://setecidades.dgabc.com.br
DEZ

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Sobre o Autor
Adriano Gaspar - Proprietário do Canil Golden Garden.